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Estados da Matéria 9'28",

Ivan Padovani e Marina Rodrigues

Em Estados da Matéria, Ivan Padovani e Marina Rodrigues propõem um jogo performático

em que as regras são inventadas durante a própria ação. Cada gesto responde ao outro,

transformando a cena constantemente, como numa coreografia de contato e improvisação em que não há uma direção predeterminada.

O trabalho se dá na relação dos elementos e na incerteza do próximo passo, fazendo do

imponderável uma condição rica de possibilidades. Existe uma busca por desvendar os caminhos sugeridos pelo movimento anterior. O passo seguinte é uma descoberta revelada pela

indeterminação do encontro.

Mãos animam a matéria bruta, em um exercício constante de ambivalência entre a rigidez e

a sensualidade, o orgânico o estrutural. Nesse corpo-a-corpo, o impulso manual provoca as

potências latentes, modos de agir que coexistem na tensão do contato.

A utilização de duas câmeras em registro simultâneo expande a dinâmica do trabalho: a

multiplicação de imagens fragmenta a ação e cria camadas de leitura que recusam uma visão única.

O espectador é convidado a circular com o olhar entre pontos de vista divergentes, reconhecendo a radicalidade de percepções distintas e a impossibilidade de uma representação totalizante. Essa estratégia propõe um estudo sobre a imagem e a escultura enquanto linguagens que se constituem no intervalo entre ver e fazer.

Estados da Matéria, assim, é um convite à presença atenta e sutil em um tempo outro, um

chamado para acompanhar processos que não se encerram num produto final, mas se definem na abertura e na incerteza do gesto. O trabalho afirma que compreender — ou representar — a realidade exige a persistência do olhar sobre suas fricções, sobre os dispositivos que a desdobram e sobre as mãos que, literalmente, a modelam.

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